ROMA, 2 JUL (ANSA) - Os filhos de proveta no mundo somam hoje 5 milhões. Esse marco histórico, alcançado 34 anos após o nascimento da britânica Louise Brown, foi anunciado com entusiasmo por especialistas reunidos em Istambul para o congresso anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (Eshre).
Os cinco milhões de bebês de proveta espalhados pelo mundo, são o resultado de uma estimativa da Comissão Internacional de Controle sobre as Tecnologias de reprodução assistida (ICMART), com base no número de ciclos de tratamento registrados no mundo até 2008, aos quais se somaram as estimativas para os últimos três anos.
Na análise foram consideradas tanto a técnica de fertilização in vitro (IVF) como a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide), técnica esta que envolve a injeção de um único espermatozoide no óvulo. Daqui surge que os nascimentos decorrentes da fertilização assistida, de 1978 até o ano passado, foram 4,6 milhões que, graças aos nascidos recentemente, chegaria aos 5 milhões.
De acordo com dados de ICMART, se realizam anualmente em todo o mundo 1,5 milhões de ciclos de concepção assistida, dos quais nascem cerca de 350 mil crianças, um número que continua crescendo.
Os países que mais recorrem a estas técnicas são Estados Unidos e Japão, enquanto que a região mais ativa neste sentido é a Europa.
No Velho Continente, a demanda das mães aspirantes continua aumentando: os ciclos de tratamento realizados anualmente passaram dos 532 mil em 2008 para 537 mil em 2009.
Segundo Anna Pia Ferraretti, presidente do consórcio Eshre de monitoramento do IVF, a cada ano seriam necessários 1.500 ciclos de tratamento por milhão de habitantes, mas esta meta só é alcançada na Dinamarca, Bélgica, República Checa, Eslovênia, Suécia, Finlândia e Noruega.
A Itália continua a ser um dos países com a menor disponibilidade de tratamentos na Europa (são 863 ciclos por milhão de habitantes, muito abaixo da média europeia de mil ciclos), junto com Áustria, Alemanha e Grã-Bretanha.
Quanto ao tema da gravidez múltipla, Anna Pia Ferraretti salienta que a tendência europeia é transferir cada vez menos embriões. ''Em relação aos anos anteriores, em 2009 registramos um número de transferência inferior a três embriões e um maior número de transferências de embriões únicos. Como resultado, os partos trigemelares caíram para menos de 1% e, pela primeira vez, a taxa de nascimentos de gêmeos ficou abaixo de 20%'', disse Ferraretti. (ANSA)