Por Ernesto Perez
PESARO, 17 AGO (ANSA) - A ascensão meteórica da soprano cubana formada na Venezuela, Maria Aleida, foi de um teste de fim de curso na Academia Rossiniana ao papel principal em um espetáculo no Rossini Opera Festival (ROF), e tudo em menos de um ano. Hoje, Aleida é a grande descoberta desta 33ª edição do festival de Pesaro.
Em "Il Signor Bruschino" Aleida é Sofia, cúmplice de um esquema para se casar com seu amado Florville, contra os desejos de seu tutor que a destina a um jovem irresponsável de boa família (o tenor argentino Francisco Brito).
"Na quarta-feira (15), na segunda representação, desapareceu um pouco a tensão da estreia, inevitável até para cantores mais experientes do que eu", disse ela aliviada, de uma beleza caribenha excepcional.
Aleida lembra bem de sua estreia no ROF no papel da Condessa de Folleville no teste de final de curso que fazem os alunos da Academia Rossiniana, um papel que lhe deu mais de um passaporte certo para o reino da Rossini Renaissance.
"Foi realmente uma oportunidade extraordinária, para que o ROF me oferecesse no ano seguinte o papel principal de 'Il Signor Bruschino', lançando minha carreira na Europa", disse a soprano à ANSA.
Aleida não se considera uma intérprete puramente rossiniana, apesar de ter cantado em pouco mais de um ano três óperas deste autor (além de "Viagem" e "Bruschino", a rara "Aureliano em Palmira" no refinado Festival de Valle de Itria de Martina Franca, que trata de ressuscitar o repertório esquecido).
"Meu campo favorito é o bel canto e o meu preferido é o francês, mas em outubro viverei o papel de Elvira em "I Puritani" de Vincenzo Bellini no Teatro Pergolesi de Jesi. Estremeço só de pensar, porque o personagem ainda mantém intacta a marca de Maria Callas", comentou a soprano.
Ela disse que se sente menos intimidada pela Rainha da Noite de "A Flauta Mágica" de Mozart ou "Lakmé" de Leo Delibes, que cantará em Charlotte e Lausanne, ou o recital que apresentará na Fundação Cultural Musashino do Japão.
Maria Aleida não tinha a menor ideia de que sua voz era operística: "Quando fui de Cuba para a Venezuela com minha família, me matriculei no Conservatório Vicente Emilio Sojo, mas não existiam cursos para cantores populares e por isso optei pela música lírica",.
Foi a famosa soprano italiana Mirella Freni que descobriu seu talento e a encorajou a estudar nos Estados Unidos com Manny Pérez, "a quem devo tudo, inclusive o fato de estar aqui em Pesaro", observou.
Aleida reconhece que para ser uma cantora de alguma importância "é preciso fazer muitos sacrifícios: viver longe da família, renunciar a uma vida familiar própria, deixar tudo por uma carreira". "De minha turma em Caracas, sou a única que não desistiu das ambições artísticas e que defende os valores de minha promoção".
"Quem sofre com isso é minha mãe, uma pediatra, que já sabe que não pretendo ter filhos nos próximos 10 anos. É claro que sempre posso mudar de ideia", pondera Aleida, que se descreve uma católica devota. Antes de todo espetáculo ela faz uma oração à santa padroeira de Santiago de Cuba, a Virgem da Catedral do Cobre, que, diante do sucesso vertiginoso de Aleida, deve ter um olhar muito atento para com sua devota cantora lírica. (ANSA)