Por Daniela Giammusso
ROMA, 26 JUL (ANSA) - "Em setembro será aberto o túmulo de Giuseppe Garibaldi e descobriremos se seu corpo embalsamado está de fato descansando em Caprera", disse Anita Garibaldi, a sobrinha-neta do 'herói dos dois mundos' e presidente da associação que leva o seu nome, juntamente com Silvano Vinceti, presidente do Comitê Nacional para a valorização do Patrimônio cultural e ambiental, que já trabalhou na descoberta dos restos de Caravaggio e mais recentemente dos da Mona Lisa retratada por Leonardo.
A decisão chega após dois anos de espera e com o consentimento da maioria dos herdeiros, além da coleta de assinaturas de Massimo D'Alema e de Stefania Craxi, e apesar da patrocínio do então ministro da Cultura Sandro Bondi ter chegado em 2010. "Nós não procedemos para não sermos acusados de especulação durante as celebrações pelos 150 anos da Unificação da Itália, apesar das polêmicas sobre os restos mortais do general terem começado quando morreu em Caprera, em 2 de junho de 1882", disse Vinceti.
"Meu bisavô foi embalsamado e enterrado lá contra sua vontade, observou Anita. Vi pessoalmente o testamento. Ele queria ser cremado em um terraço, logo abaixo, onde juntou madeiras perfumadas. Sonhava que cada italiano pegasse um pouco das cinzas para semeá-las em várias partes do país, iniciando assim uma nova Itália".
As histórias falam de um embalsamamento tardio e de cinco tentativas fracassadas para fechar o túmulo. Também houve complicações por razões de Estado e de família: há aqueles que queriam cumprir suas últimas vontades e os que, como o então primeiro-ministro Francesco Crispi, pediam o embalsamamento, talvez para depois levar o corpo para Roma, ao Panteão ou Capitólio, como convinha aos grandes heróis do país.
Cento e trinta anos mais tarde o túmulo ainda está lá. "E o corpo?", se perguntam os herdeiros.
"Meu pai contou que o viu em 1932, mas com um braço desgastado", comentou Anita, lembrando as muitas objeções à exumação e os telefonemas ameaçadores que recebe até hoje. "Não tenho medo, todos temos o direito de cuidar dos corpos de nossos antepassados. Isso foi feito com Padre Pio, Carducci e Mazzini. Por que nós não?".
A dúvida é, justamente, que o corpo de Garibaldi não esteja lá. A equipe de Vinceti, formada por antropólogos e embalsamadores está pronta até para comparar o DNA dos restos do general com aquele de Claudio Garibaldi, um seu descendente direto.
"A superintendência de Sassari - diz Vinceti - tomará conhecimento do patrocínio do ministro, do qual depende. Não sei o que encontraremos, presumo os restos mortais de Garibaldi, mas se não estiverem lá o caso poderá envolver o Ministério Público".
Que o túmulo foi violado ao longo dos anos, Anita não tem dúvidas. No entanto "o mundo todo tem o direito de saber se ali jaz Garibaldi ou um pastor sardo. Se, no entanto, não existir nenhum corpo, poderia significar que alguém cumpriu seu último desejo".
Vinceti também comentou que, dependendo do que encontrarem, farão uma enquete para saber se os italianos querem deixá-lo lá ou cremá-lo, como ele queria. (ANSA)