ROMA, 25 JUN (ANSA) - O drama agora não se limita aos mais jovens. Hoje a Itália tem quase um milhão de trabalhadores entre 35 e 64 anos sem emprego fixo, de acordo com dados oficiais divulgados pelo Instituto Italiano de Estatísticas (Istat) e referentes ao primeiro trimestre de 2012. Trata-se de outra faceta da crise que não se registrava desde 2004 e que jamais chegou a níveis tão alarmantes.
Os novos valores numéricos revelam um dado importante porque, ao contrário do que se acreditava, os contratos temporários ou as prestações de serviço por tempo determinado não são um mal que impacta apenas a parcela jovem da população, mas também atinge 43,8% das pessoas mais maduras.
A faixa entre 35 e 64 anos registrou uma taxa de contratos por tempo determinado acima da média geral de todas as idades que é de 30,2%, informou o Istat. A maioria das novas contratações nesta faixa etária ocorre mediante contratos temporários e não com incorporações definitivas aos postos de trabalho, de modo que a "flexibilidade" já não é uma raridade entre os adultos na Itália, cuja reforma trabalhista enfrenta uma forte resistência.
O Istat publicou poucos dias antes do início do período de férias no Hemisfério Norte, que são 969 mil os profissionais acima dos 34 anos sem emprego fixo no primeiro trimestre do ano.
Para o citado Instituto, a distribuição por faixa etária dos profissionais sem emprego fixo é a seguinte: 541 mil entre 35-44 anos, 317 mil entre 45-54 anos e 111 mil entre 55-64 anos. Entre os menores de 35 anos, o total é de um milhão e 251 mil pessoas (56% do total).
Somando-se todos os trabalhadores italianos com contratos temporários se chega a 2,2 milhões, um novo recorde que não se registrava desde o primeiro trimestre de 1993. Trata-se de 13% de toda a força de trabalho, um valor que se aproxima cada vez mais da média geral europeia, embora muito distante de países como Espanha, Polônia e Portugal, cujos índices são mais dramáticos e onde quase um em cada quatro não tem emprego fixo.
As novas estatísticas coincidem com as conversações mantidas entre o governo de Mario Monti e os industriais para aprofundar um pacote de medidas para a reforma trabalhista no país. (ANSA)